Campeonatos Distritais competitivos?

Lusitânia Lourosa FC sagrou-se Campeão Distrital neste fim de semana na Associação Futebol de Aveiro. Um enorme feito e no qual congratulo todas as jogadoras e equipa técnica.

Não é supresa nenhuma e também não será surpresa se estas jogadoras marcarem presença na Fase Final da Taça Nacional e a consequente subida ao campeonato nacional.

Num campeonato distrital com 7 equipas participantes, temos uma prova que termina a 30 de Dezembro e um clube campeão que vai esperar até meados de Março para começar a sua participação na Taça Nacional.

Em breve vamos disputar um campeonato da europa e depois exigimos que as nossas jogadoras sejam mais competitivas, mais competentes, mais inteligentes emocionalmente, que errem menos. Ouvimos vezes sem conta ”nestas alturas não podemos falhar tanto.”

Podemos exigir? Não podemos. De forma alguma. Especialmente quando ainda temos exemplos competitivos desta natureza. Querem jogadoras competitivas, façam provas competitivas. Tão simples quanto isso.

Obrigada Fernanda

Infelizmente por motivos profissionais foi ímpossivel acompanhar o percurso da nossa seleção nacional dia após dia nesta competição internacional, Torneio 4 Nações. No entanto, sempre que lá tinha algum tempinho, sabia que podia contar com o facebook da Fernanda Piçarra e do Jogo das Raparigas.

Por isso, não posso deixar de agradecer à Fernanda por todo o carinho e dedicação que tem tido pela modalidade e pelo carácter cativante, apaixonado e inspirador que incute em cada publicação, divulgando assim a modalidade de todos nós.

O que ela fez e ainda faz pelo nosso futsal merecia outro carinho, respeito e atenção de todas as intituiçoes que lideram e gerem a nossa modalidade, especialmente no feminino. Resta-me dizer que é um orgulho enorme contar com a sua amizade.

Aqueles que servem a modalidade tem mais do que simplesmente títulos ou cargos desportivos. Tem o respeito de todos e todas as que seguem e amam a modalidade. Porque o respeito e carinho não obedecem a títulos ou cargos. Respeito obedece sim a carácter, entrega, carinho e dedicação, sorrisos. Valores, princípios e muita dedicação.

Fernanda Piçarra, mesmo em Londres, sempre que clicava numa notícia do Jogo das Raparigas, ou no teu mural, sentia-me perto de tudo o que eu acredito e amo. O nosso futsal. Obrigada por me manteres perto do meus País.

Respeito pela modalidade de todos nós

Em Portugal existe a tendência de se fazer notícias, em que se divulga a total falta de respeito pelas competições, pelas pessoas envolvidas e pela modalidade em si. Vale tudo para uns cliques mais? Pelos vistos sim. Vale. Infelizmente.

Isto não é informação. Isto não é divulgação. E o nosso futsal no feminino, 99% amador, não merece este tipo de trabalho. Tenham mais respeito pelos agentes da modalidade. Directores. Treinadores. Treinadoras. Jogadoras.

Façam o que deve ser feito. Façam o que é certo e correcto. Tenham a coragem para divulgar o que realmente é importante nesta fase competitiva em que oito equipas lutam por um título nacional e mais oito lutam para não descer aos distritais. Divulguem os clubes. Os treinadores. As jogadoras. De forma igualmente competente e justa.

E deixem as previsões futuras, e os talvez, e as incertezas para aqueles que tem a competência de tomar essas decisões, no tempo certo, na altura devida e usando os seus meios de divulgação próprios para dar conta das suas decisões.

Esse é o caminho. O RESPEITO pela modalidade de todos nós.

Mélissa Antunes de saída para o SC Braga

Existem jogadoras que nos fazem ir aos pavilhões ou aos campos de futebol. Elas deixam sempre no ar rasgos de criatividade, de genialidade e de magia que só as mais talentosas tem. A Melissa é uma dessas jogadoras.

Sempre acompanhei a sua carreira. Fui ver alguns jogos dela na expectativa de saber qual seria a sua próxima maldade e no entretanto observava como a sua equipa e equipa adversária reagiam tacticamente e emocionalmente ao seu talento.

A complexidade do jogo tem muito mais de caótico do que organizado porque na nossa mente são mais as dúvidas do que as certezas e no entretanto buscamos a Ordem táctica para ocultar e disfarçar uma realidade assustadora. A falta de talento do ou da jogadora.

Com a saída do talento da Melissa para o Futebol os pavilhões ficam inevitávelmente mais cinzentos, mais assim assim, mais sem sal. Apenas ficam. Apenas andam por andar ou correm por correr. É esse o estado da nossa modalidade. Ou por ventura será esse o meu estado perante a nossa modalidade. É para cumprir calendário.

Uma coisa vos posso garantir. Tenho mais um bom motivo para ver o SC Braga jogar porque quem verdadeiramente ama o desporto também ama os seus talentos, as suas referências. Fico a torcer para que a Melissa conquiste não só um lugar no seu clube como também na Seleção Nacional que, de 16 de julho a 6 de agosto, disputa a sua primeira fase final de Campeonato de Europa de Futebol no Feminino. E como era tão bom se elas conseguissem ter o sucesso que tanto desejam.

Obrigada Melissa por tantos anos dedicados ao nosso Futsal. Sei que irás ter sempre um carinho muito grande por esta causa.

Uma voz pode fazer a diferença

Realizei este tributo ao futsal no feminino, após o Torneio Mundial – Oliveira de Azeméis – 2012. Na altura tinha uma paixão desmedida pela divulgação e passava horas infindáveis em frente ao computador buscando aquela imagem que fizesse a diferença, que fosse impactante, que causasse emoção. E assim surgiu este video. Com muito trabalho e dedicação.

Fomos finalistas vencidos defrontando um Brasil que até hoje é referência mundial com 6 edições de Torneios Mundiais conquistadas. A meia final e final teve direito a transmissão da RTP e audiências que deixaram muitas pessoas de boca aberta e outras com um sorriso de satisfação tal era o orgulho em tal conquista. Foi um Torneio Memorável para todos os que para ele trabalharam incansavelmente e para todos os que puderam assistir, in loco.

Hoje, numa das minhas pesquisas dei por mim a pensar que passados 4 anos, o título que na altura escolhi para o video ainda é tão actual e tão necessário para o desenvolvimento da modalidade.

One Voice Can Make A Difference. Uma voz pode fazer a diferença.

Não precisamos de mais vozes. Temos bastantes e com tremenda qualidade. Apenas precisamos que as nossas referências, as nossas vozes no feminino sejam solidárias. Se unam, dialoguem, comuniquem e que intercedam pelo bem da nossa modalidade. É essencial que elas façam parte das soluções de forma positiva, activa, participativa  e apaixonada porque os problemas todos nós sabemos quais são.

Dizem que o silêncio pode falar mesmo quando as palavras falham.

Mas não acham que já chega?

Zego: O Embaixador

zego

Um embaixador da modalidade pleno de humildade é raridade nos dias de hoje. Mas Zego, mais do que espalhar a palavra FUTSAL, ele ENSINA o FUTSAL. Lembro-me muito bem dos seus treinos. Na altura já lhe dava forte nos pormenores técnicos mais do que qualquer outra essência do jogo. Era assim e continua assim.

Hoje em dia ligamos a TV e vemos jogos ”robotizados” e pouco apelativos… porquê? Faz tempo que os treinadores ”ditos de formação” ignoram o pormenor técnico na unidade de treino porquê? Porque querem vencer! Quem quer vencer? O treinador! O director! O presidente! E então o jogador? E então o Futsal em si? O Futsal evolui, é certo, mas evoluiu em que sentido? Evoluiu para onde? E favorecendo quem? 

Para mim o grande diferenciador do JOGO é o JOGADOR, o pormenor e o detalhe está no JOGADOR e a ação final está sempre no pormenor técnico do JOGADOR mas tenho a sensação que cada vez mais se ignora esse factor. Cada vez mais se ignora a essência do JOGADOR e do seu JOGO.

Fala-se muito sobre como abordar o Futsal, afinal temos Mil e Uma formações que dão direito a Créditos para uma Cédula de Treinador mas fala-se muito pouco sobre a essência, os caminhos que percorremos e para onde caminhamos com tanto ensino. Quase que apetece escrever que o futsal em Portugal está a evoluir rápido demais para o tipo de sociedade desportiva em que estamos inseridos.

Já agora, na altura em que o Zego era Mentor do técnico André Teixeira, numa equipa chamada Alto de Avilhó, as seniores femininas foram Campeãs Nacionais. Corria a época 02/03 e foi o 1º clube da zona norte a conquistar um título nacional de futsal no feminino.

Desculpem o desabafo.
Um bem haja a todos os apaixonados pela modalidade

A tua voz, faz a diferença!


No dia em que algumas notícias são reveladas e que em nada abonam a modalidade no feminino, queria deixar as seguintes palavras.

Dia após dia, jovens adolescentes, mulheres debatem-se com lutas que porventura não deveriam ser delas – dizem alguns e algumas.

Na realidade, sempre que acreditamos em algo, esse algo torna-se o nosso querer, a nossa vontade, o nosso foco, o nosso objectivo, o nosso sonho. Sendo assim, a luta será de todas nós. Sendo assim, temos de ter uma voz, por mais silenciosa que seja. 

Mais do que deixar e querer que outros lutem por nós, é importante a união de todas e todos em prol de uma modalidade, especialmente nossa, especialmente no feminino. É importante uma Voz consciente de todo um percurso que foi percorrido e que ainda existe a percorrer. É um importante uma voz que se faça ouvir. Nem que seja de tempos em tempos. Mas que seja. Que exista. Que sinta. Que não tenha medo.

Não faz muito tempo atrás e as competições nacionais eram rudimentares, os torneios mundiais não existiam, e a modalidade em geral pouco se fazia notar um pouco por todo o Mundo.

Não faz muito tempo e outras sonhavam com campeonatos nacionais, Taças de Portugal, Supertaças, Seleções Nacionais. Todas elas deixaram tudo por uma causa. O seu futsal. Era rudimentar, mas era o futsal delas. Era um tudo no meio de um nada. Elas usaram a sua voz de tempos em tempos.

E essa Voz cresceu. Foi ganhando força. Foi mostrando o caminho.

Hoje, temos todas essas competições, mas muitos dos seus agentes ainda não acompanharam essa evolução. É natural. Tudo leva o seu tempo. Especialmente no que diz respeito à competência emocional e desportiva. E no meio da incompetência que nos rodeia, vai-nos valendo a força de todos os que acreditam que estamos certos.

Essa Voz, agora, é ouvida. Não é fácil. Mas também nunca o foi. E nunca o será. A modalidade no feminino tem todo um teor de essência que nos obriga a lutar – diariamente – talvez não por nós, mas por todas as que ainda estão por vir. Não gastem as vossas forças todas numa só batalha, porque guerras maiores ainda estão por chegar. Guardem-se para elas.

Deixo-vos com o video que mostra como a nossa Voz cresceu nos últimos anos. E acredito com todas as forças do meu Ser, que não vamos ficar por aqui. Vamos continuar o nosso caminho com a mesma força que nos conduziu até cá. A força de um Amor por uma modalidade que é tão nossa.

 

O Adeus de Elsa Dias

Elsa Dias

Elsa Dias é uma mulher que dedicou toda uma vida ao futsal. Grande parte dessa vida jogou ao serviço do clube que tanto ama, o Futebol Clube Vermoim. Aos títulos perdem-se a conta e os sorrisos também.

Elsa Dias resolveu terminar uma carreira de jogadora e atleta para agora dar início ao percurso enquanto treinadora. Elsa Dias não jogou num ”clube grande”, não apareceu nos jornais porque acabou a carreira, nem tão pouco na televisão, no entanto, Elsa Dias, recebeu a homenagem a que tem direito pelo seu clube, um grande clube em afectos e acções. Afectos feitos de pessoas, afectos feitos de alegrias e tristezas. E são os afectos que permanecem quando os anos passam por nós. 

O nosso futsal precisa de mais clubes como o FC Vermoim, o nosso futsal precisa de mais ”Elsas Dias”, o nosso futsal precisa que valorizem mais todas as ‘elsas’ que por aí andam, trabalham, jogam, lutam e terminam carreiras de anos sem fim – anos dedicados ao que mais amam fazer.

Para finalizar, gostaria de dizer que foi um prazer jogar ao lado da Elsa Dias, mas acima de tudo, foi um orgulho usar um emblema que trata desta forma as jogadoras que por lá passam.