Treinadora de novo!

E volvidos 7 anos eis que tenho a possibilidade de renovar o título profissional de treinadora de futsal Grau II. E tudo porque temos uma empresa em Portugal que tem trabalhado de forma exemplar no que diz respeito a formar treinadores, treinadoras, directores e directoras técnicas de Portugal. Na realidade temos várias empresas, mas quero realçar aquela com a qual mais trabalho.

Graças à equipa do Uniques’s e às fantásticas formações on-line, eis que mesmo longe do meu País tive a possibilidade de realizar as Unidades de Créditos necessárias para a renovação do título. Sem a excelente qualidade de serviço, os preços acessíveis, a qualidade dos formadores, acho que dificilmente teria a possibilidade de o fazer, confesso.

De uma forma geral gostei dos conteúdos debatidos e apresentados e passei fins de tarde/noite e fins-de-semana colada ao computador como muitos outros, no entanto, não pude deixar de reparar que tínhamos 0 mulheres nos diferentes painéis das devidas formações. De futuro, vou continuar a apostar nesta empresa formadora, de preferência se tiver mais mulheres a apresentar o seus temas, trabalho e experiências pessoais. Este é o meu desafio para Eles.

Não tenho a menor dúvida que temos excelentes presidentes, dirigentes, gestoras desportivas, professoras, treinadoras, directoras técnicas espalhadas por este país fora, e nada faria mais sentido para treinadoras e treinadores aprenderem também com outras treinadoras.

Porque se elas não tem a oportunidade de mostrarem o quão interessante, competente e enriquecedor é o seu trabalho então nunca iremos fugir dos números alarmantes e desanimadores que temos em Portugal.

Num retrato a partir de indicadores estatísticos recolhidos no processo de emissão de Títulos Profissionais entre 2010 e 2017, o IPDJ apresentou o seu estudo a todos os demais interessados. Numa das conclusões deste estudo foi-nos dito que no treino desportivo, em cada centena de Treinadores/as, 14 são mulheres e 86 são homens. Nos Técnicos/as de Exercício Físico/Diretores/as Técnicos/as, em cada 100, 38 são mulheres e 62 são homens.

Quero acreditar que desde 2017 até 2020, este valores não diferem em muito, no entanto, as diferentes entidades desportivas portuguesas, pouco ou nada tem feito para mudar esta realidade. E a reflectir sobre este aspecto, eis que dei por mim a pensar no quão importante seria ter empresas com a qualidade da Unique’s, com uma visibilidade a nível nacional e internacional terem em atenção esta premissa tão importante para o aumento dos destes números em Portugal.

Dei por mim também a pensar em como gostaria de ver a Portugal Football School e FPF, desenvolver cursos apenas para mulheres, com preços acessíveis e com uma continuidade prática com a existência de estágios em clubes de excelência. E quando a Federação Portuguesa de Futebol liderar pelo exemplo, então talvez, todas as demais empresas também o façam. Até que esse dia chegue sinto que é a minha obrigação e dever alertar e sensibilizar os demais para o tema.

Tenho a plena convicção que só através de medidas de discriminação positiva podemos atingir um equilíbrio entre os géneros. Até lá vamos continuar a ”picar pedra” da alvorada ao anoitecer, até que a alma se canse e o coração se desvaneça.

Para terminar este artigo deixo-vos com duas frases, de duas activistas, que mesmo vivendo em épocas tão diferentes, lutaram e lutam ainda pelos mesmo direitos, valores e princípios.

”I ask no favors for my sex. I surrender not our claim to equality. All I ask of our brethren is, that they will take their feet from off our necks, and permit us to stand upright on that ground which God designed us to occupy.”

July 17, 1837, Sara Moore Grimké

“We cannot all succeed when half of us are held back.”

Malala Yousafzai, activist and 2014 Nobel prize winner

Zego: O Embaixador

zego

Um embaixador da modalidade pleno de humildade é raridade nos dias de hoje. Mas Zego, mais do que espalhar a palavra FUTSAL, ele ENSINA o FUTSAL. Lembro-me muito bem dos seus treinos. Na altura já lhe dava forte nos pormenores técnicos mais do que qualquer outra essência do jogo. Era assim e continua assim.

Hoje em dia ligamos a TV e vemos jogos ”robotizados” e pouco apelativos… porquê? Faz tempo que os treinadores ”ditos de formação” ignoram o pormenor técnico na unidade de treino porquê? Porque querem vencer! Quem quer vencer? O treinador! O director! O presidente! E então o jogador? E então o Futsal em si? O Futsal evolui, é certo, mas evoluiu em que sentido? Evoluiu para onde? E favorecendo quem? 

Para mim o grande diferenciador do JOGO é o JOGADOR, o pormenor e o detalhe está no JOGADOR e a ação final está sempre no pormenor técnico do JOGADOR mas tenho a sensação que cada vez mais se ignora esse factor. Cada vez mais se ignora a essência do JOGADOR e do seu JOGO.

Fala-se muito sobre como abordar o Futsal, afinal temos Mil e Uma formações que dão direito a Créditos para uma Cédula de Treinador mas fala-se muito pouco sobre a essência, os caminhos que percorremos e para onde caminhamos com tanto ensino. Quase que apetece escrever que o futsal em Portugal está a evoluir rápido demais para o tipo de sociedade desportiva em que estamos inseridos.

Já agora, na altura em que o Zego era Mentor do técnico André Teixeira, numa equipa chamada Alto de Avilhó, as seniores femininas foram Campeãs Nacionais. Corria a época 02/03 e foi o 1º clube da zona norte a conquistar um título nacional de futsal no feminino.

Desculpem o desabafo.
Um bem haja a todos os apaixonados pela modalidade

Ferramentas emocionais

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Ferramentas emocionais em Post-its.

Volvidos 81 dias de estadia em Londres – a título profissional – começo o esboço em post-its, na parede do meu quarto, das ferramentas emocionais que considero serem os alicerces que movem o que me move.

Ferramentas emocionais todos nós as temos, mas poucos as conhecem e menos ainda os que as usam diariamente.

Quais são as tuas ferramentas? Quando as usas?  O que sentes quando as usas?

Este é apenas um começo no teu ser.

São post-its.

Ricardinho sobre o Futsal Feminino em Portugal

RicardinhoRicardinho – A Magia do Futsal, sempre genuíno nas suas palavras e acções, fala sobre o futsal feminino, na grande entrevista para o Expresso.

”… acho que o futsal feminino está muito discriminado, muito subvalorizado. Portanto o que vejo, é verdade que já há mais aposta, mas elas sofrem muito para terem o valor reconhecido e preferia não ver a minha filha a passar por essas dificuldades, claro. É só por isso, porque eu adoro futsal feminino, acompanho muito e vou ver a Supertaça feminina aqui de Espanha, por exemplo. Mas é uma luta quase sem fim.”