O Adeus de Fifó e Janice

Vou quebrar o meu silêncio para falar destas jogadoras fabulosas.

Tenho de confessar que não consegui conter as lágrimas quando vi esta entrevista porque deu para perceber claramente o quanto este passo lhes está a custar. Dizer adeus custa muito. Muito.

E nós, quando nos sentimos felizes e confortáveis, nunca estamos preparadas para dizer adeus. Então quando se ama e se sente um clube como elas o fizeram e vão continuar a fazer então ainda mais dificil fica.

Se por um lado vou ter umas saudades doidas de as ver a jogar em Portugal, por outro lado, sei que o futsal português vai ter mais duas embaixadoras lá fora, e isso é um motivo de orgulho para todos nós. Todos.

As mulheres, atletas, jogadoras portuguesas tem de ser recompensadas pelo seu valor. Se esse valor não é reconhecido em Portugal, então que o seja lá fora. Que esse talento seja recompesando, porque o esforço, a dedicão, o suor, assim o merecem! E o respeito também.

Um dia elas vão olhar para trás, sorrir, e perceber que este dia foi um dos dias mais importantes das suas vidas. Até que esse dia chegue, superação será uma das palavras mais usadas regularmente. A outra palavra será saudade. Aquela emoção que nos consome com memórias que nos prendem a um passado mas também que nos lembra da determinação que existe em cada uma de nós. Que essa saudade seja o motor de todo um sucesso que está por vir.

O futsal feminino Português tem as melhores praticantes do mundo! Do mundo! E o futuro pertence a vocês miúdas! Vai correr tudo bem!

O Adeus da Naty

Estas duas últimas semanas em Londres tem sido completamente rodeadas de notícias e decisões difíceis. Por isso, quando soube da notícia que Naty ia abdicar das balizas, nem tive muito tempo para processar e pensar sobre o assunto. Para ser sincera, faz tempo que já sabia que isso iria acontecer, mas na realidade, sempre tinha uma pequena esperança que ela se aguentasse mais uma época.

Não poderia deixar passar este momento como se fosse mais um no futsal porque não o é. Vou apenas escrever sobre os momentos que mais ficaram na minha memória por variados motivos.

O primeiro momento que vou guardar em mim foi no Mundial de Futsal que se realizou em Oliveira de Azemeis, ano 2012. Portugal nas meias finais com Espanha e quem entra para defender as grandes penalidades? A Naty. Claro. E se naquele dia carimbamos a final do Mundial foi devido ao seu talento. Eu estava a fazer a cobertura do Mundial para o site que liderava, juntamente com colaboradoras fantásticas, filmando e mais tarde editando este video que vos apresento.

Imaginem só que estava na bancada dos Média, com uma câmara sem tripé, a filmar o momento mais decisivo da partida. Queria saltar, festejar, pular de alegria mas não podia. A minha obrigação era primeiro com a gravação e depois com os festejos. Mas posso-vos dizer que foi um dos momentos mais loucos e felizes da minha vida. Obrigada Naty!

O segundo momento que guardo em mim, foi a final da Taça Nacional, corria a época 12/13. Sabem porque me lembro? Porque foi o ano em que deixei de jogar futsal. Estava então no FC Vermoim, e fizemos a Final Four da Taça Nacional em Vila Real. Sabem com quem fiquei no quarto? Com a Carla Vanessa! Escusado será dizer que não podia ter tido melhor companhia. Mas continuando.

Nessa Final 4, o FC Vermoim, Quinta dos Lombos, Restauradores Avintenses e SL Benfica lutavam pelo título nacional. Coisa pouca. Que final! Ficou tudo decidido nos últimos minutos, da última jornada. Mais uma vez a Naty, superou qualquer expectativa e carregou os Lombos e as Lombitas para o título nacional. Nessa altura, como eu passava mais tempo no banco do que a jogar, pude observar e avaliar o quão gigante era o seu talento.

Taça Nacional Feminina de Futsal. Final Four. SL Benfica 2 vs CRC Quinta dos Lombos 4

Tenho a profunda convicção que o talento vs performance de uma jogadora é tão efectivo e determinante quanto a confiança que lhes é dedicada. Se um treinador/a confia cegamente na sua jogadora, então ela é capaz de se transcender até nos momentos mais difíceis, aqueles em que as pernas pesam mais e o ar fica mais difícil de ‘engolir’.

Compromisso emocional, acho que é assim designado pelos especialistas nos tempos que correm. Porque nada tem mais força do que a fé e a energia positiva que depositam em nós como se nos carregasse pelas horas de mais dúvida e incerteza. Porque quando alguém acredita em ti, e te mostra usando uma linguagem verbal e não verbal, então tu superas-te de uma forma que nem tu sabes como. Interessante, como outros podem ou não influenciar as nossas ações.

Por isso nunca entendi muito bem porque é que a Naty nunca teve essa fé e essa energia por parte da equipa técnica nacional na hora das grandes decisões. O talento e dedicação da Naty merecia, no meu entendimento, mais minutos com a camisola da Quinas. Mas, como sempre, esta é apenas a minha opinião. Nada mais.

65 Internacionalizações. 1247 minutos jogados. 1 golo marcado.

Desejo que este passo seguinte na vida da Naty seja feito de forma tranquila e segura e acima de tudo, desejo que ela continue ligada à modalidade por muitos e muitos anos. Ser treinadora de futsal, mais especificamente, de guarda redes é algo que a nossa modalidade precisa e muito. As nossas referências do jogo devem permanecer para ensinar o jogo. Com o mesmo cuidado, dedicação, competência, valores e saber estar. E quem melhor para isso do que ex internacionais? Não conheço.

Naty, obrigada pelas memórias que nos deixas. Acima de tudo, obrigada pela forma como nos deixas essas memórias. Foi um prazer absurdo ver-te jogar e um orgulho tremendo ver-te representar a nossa seleção.

Um legado só. Obrigada.

Campeã Olímpica deixa a modalidade

O que é que leva uma campeã olímpica abandonar a modalidade do futsal?

Não é por ser uma jogadora que é Campeã Olímpica mas sim o que esta jogadora representa.

Naturalmente desejo que a Telma conquiste novos desafios, no entanto, questiono-me que, para além da reestruturação das nossas competições, que estratégias estão delineadas pela nossa FPF e AD’s para o aumento do número de atletas no feminino.

Existe alguma? Eu não sei.

E quando eu não sei de algo, eu tento perceber, aprender e escuto outras opiniões.

Por isso, se tiverem alguma opinião, por favor partilhem comigo.

Obrigada Fernanda

Infelizmente por motivos profissionais foi ímpossivel acompanhar o percurso da nossa seleção nacional dia após dia nesta competição internacional, Torneio 4 Nações. No entanto, sempre que lá tinha algum tempinho, sabia que podia contar com o facebook da Fernanda Piçarra e do Jogo das Raparigas.

Por isso, não posso deixar de agradecer à Fernanda por todo o carinho e dedicação que tem tido pela modalidade e pelo carácter cativante, apaixonado e inspirador que incute em cada publicação, divulgando assim a modalidade de todos nós.

O que ela fez e ainda faz pelo nosso futsal merecia outro carinho, respeito e atenção de todas as intituiçoes que lideram e gerem a nossa modalidade, especialmente no feminino. Resta-me dizer que é um orgulho enorme contar com a sua amizade.

Aqueles que servem a modalidade tem mais do que simplesmente títulos ou cargos desportivos. Tem o respeito de todos e todas as que seguem e amam a modalidade. Porque o respeito e carinho não obedecem a títulos ou cargos. Respeito obedece sim a carácter, entrega, carinho e dedicação, sorrisos. Valores, princípios e muita dedicação.

Fernanda Piçarra, mesmo em Londres, sempre que clicava numa notícia do Jogo das Raparigas, ou no teu mural, sentia-me perto de tudo o que eu acredito e amo. O nosso futsal. Obrigada por me manteres perto do meus País.

Futsal Planet Awards 2016

E no final do primeiro semestre de 2017 sai a votação oficial da única ”entidade” que realiza uma votação, junto de ”especialistas” da modalidade para a entrega dos Prémios aos melhores dos melhores, a elite do Futsal.

As nossas portuguesas estão, como é natural, entre o Top 3 e o Top 6. Não consigo descobrir em Portugal, outra modalidade colectiva onde tenhamos três atletas no Top 6 do Mundo, e não consigo encontrar um País Europeu onde esse feito seja tão ignorado pelas entidades competentes.

Quando o trabalho delas ganha uma voz internacional mas é praticamente ignorado pelo país que mais devia valorizar a sua competência e talento.

Um silêncio que acompanha o Futsal no Feminino em Portugal.

Dia Internacional da Mulher

“Temos que entender que o machismo já é algo ultrapassado e que a igualdade é coisa justa. Precisamos que nossa classe se una mais, que as atletas se abracem mais por uma causa só. Temos que melhorar juntas a modalidade e não somente naquilo que é bom para si mesmo. Muitas atletas conquistaram títulos, porém não procuram usar isso para uma melhoria da modalidade. Acabam deixando os sonhos e as lutas nas mãos de agentes, agências, diretores e deixam de lutar por aquilo que acha certo, o que é certo pra modalidade.”  Vanessa Pereira